Redação do Site Inovação Tecnológica - 03/12/2021
Recursos públicos para iniciativas privadas
A NASA anunciou a disponibilização de financiamento para três empresas desenvolverem seus projetos de estações espaciais "e outras destinações comerciais".
Segundo a agência espacial, o apoio é parte "dos esforços da agência para permitir uma economia comercial robusta liderada pelos Estados Unidos na órbita baixa da Terra".
O valor total investido nesta primeira etapa é de US$ 415,6 milhões, divididos entre as seguintes empresas:
O apoio aos projetos privados também é uma sinalização clara de que a NASA já está programando a desativação da Estação Espacial Internacional, que está chegando ao fim de sua vida útil e tem um apoio cada vez menor do outro grande parceiro, a Rússia, que já havia anunciado a decisão de abandonar a ISS em um futuro próximo.
"Com as empresas comerciais agora já fornecendo transporte para a órbita baixa da Terra, estamos fazendo parceria com empresas dos EUA para desenvolver os destinos espaciais onde as pessoas possam visitar, viver e trabalhar, permitindo que a NASA continue forjando uma rota no espaço para o benefício da humanidade, ao mesmo tempo fomentando a atividade comercial no espaço," disse Bill Nelson, administrador da NASA.
O financiamento disponibilizado agora representa a primeira etapa em uma abordagem de duas fases para garantir uma transição suave da atividade da Estação Espacial Internacional para destinos comerciais.
Durante esta primeira fase, as empresas, sob coordenação da NASA, farão os projetos de destinos espaciais adequados para as necessidades potenciais do governo e do setor privado. Esta primeira fase deve continuar até 2025, provavelmente com novos aportes de recursos para as empresas.
Coral Orbital
A Blue Origin e a Sierra Space já haviam anunciado uma parceria para desenvolver a Coral Orbital (Orbital Reef), uma estação espacial de propriedade e operação comercial que começará a operar na segunda metade desta década. O empreendimento também conta com a participação da Boeing, Redwire Space, Genesis Engineering e Universidade do Estado do Arizona.
A arquitetura da estação foi projetada para ser um "parque de negócios espaciais de uso misto", que fornecerá a infraestrutura necessária para suportar todos os tipos de atividade de voo espacial humano em órbita baixa da Terra, podendo ser ampliada para atender a novos mercados.
Laboratório Estelar
A estação espacial da Nanoracks chama-se Starlab e conta com a participação da Voyager Space e da Lockheed Martin.
Será uma estação espacial com tripulação contínua, dedicada a conduzir pesquisas, fomentar a atividade industrial e garantir a presença contínua dos EUA na órbita baixa da Terra. A estação é projetada para quatro astronautas e terá potência, volume e capacidade de carga útil equivalente à da Estação Espacial Internacional.
A Starlab está sendo planejada para lançamento em 2027 em um único voo.
A Nanoracks já opera racks de experimentos contratados comercialmente na ISS, mas em sua própria estação ela pretende levar para o espaço um conceito já muito usado em terra, o de parques científicos, instalações versáteis, de uso compartilhado, destinadas a atender a diferentes necessidades de pesquisa.
O primeiro parque científico espacial se chamará George Washington Carver Science Park e contará inicialmente com quatro laboratórios principais: Um laboratório de biologia, um laboratório de habitação, um laboratório de ciências físicas e novos materiais e uma área de bancada aberta, para atender às necessidades apresentadas pelo mercado.
A estação será construída com um crescimento flexível em mente, apresentando interfaces internas e externas para permitir que a Nanoracks expanda a arquitetura conforme novas fontes de demanda sejam identificadas e novos mercados apareçam.
Gravidade artificial
A estação da Northrop Grumman parece ser a estação mais voltada para defesa, atendendo ao governo, mas também contará com laboratórios a serem alugados para clientes comerciais.
O projeto aproveita elementos já prontos, como a espaçonave Cygnus que leva cargas para a Estação Espacial Internacional. Uma Cygnus funcionará como módulo básico para ampliação de capacidades, que incluirão ciência, turismo, experimentação industrial e a "outras infraestruturas".
O destaque desta estação, ainda sem nome, fica por conta da expectativa das primeiras instalações que ajudarão a desenvolver sistemas de gravidade artificial.